Chez Beebs |
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sexta-feira, abril 30, 2004
:: ônibus :: - Moço, você vai me matar que eu for pagar o ônibus com uma nota de 50? - ... - É que eu esqueci de trocar. - Eu não tenho troco. - Sei. Você quer que eu desça (o beicinho tremendo)? - Não, não, pode ficar aí na frente. - Ah, moço, obrigada. Desculpa, tá? Olha eu tenho só 90 centavos, quer ficar? - Tá, pode ser. Minhas moedas estão acabando. E ela vai meio envergonhada até o metrô Praça da Árvore. Desce pela porta da frente, sob olhares suspeitos dos outros passageiros. :: o poder de marlene mattos, ou o poder de roque :: E o "Esporte Total" quase acabou no "Linha Direta" AOL - 18:59 - 28/04/2004 O lutador de boxe Mário Soares não gostou das críticas que recebeu de Jorge Kajuru e partiu para cima dele ao vivo no programa da Band. Ainda bem que Marlene Mattos apareceu para acabar com o barraco Por José Bueno de Souza, da Redação AOL Confusão das feias no programa de Jorge Kajuru desta quarta-feira (28), na Band. Durante a exibição ao vivo do Esporte Total, o apresentador recebeu o boxeador Mário Soares e os dois quase saíram no tapa. O barraco todo começou quando Kajuru fez críticas ao boxe e especialmente à atitude de Soares que, durante a disputa pelo título brasileiro dos meio-pesados no último domingo (25), nocauteou o lutador Fábio Garrido. O apresentador acusou Soares de ter sido covarde ao continuar a golpear Garrido mesmo quando ele já estava derrotado, a ponto de fazer com que o lutador fosse parar na UTI. Soares se irritou e, exaltado, disse que lutou dentro das regras do boxe. A discussão logo esquentou e o boxeador partiu para cima do apresentador. A Band imediatamente interrompeu a transmissão colocando comerciais no ar. Segundo fontes da emissora que não querem se identificar, a confusão no estúdio continuou por um bom tempo, na base do "empurra empurra". A coisa foi tão feia que até a empresária Marlene Mattos desceu ao estúdio. Foi ela quem separou os brigões, colocando-se entre eles. Quando o programa voltou ao ar, Soares não estava mais no estúdio e Kajuru apenas pediu desculpa aos telespectadores e aos outros convidados. Ele disse que não comentaria o assunto sem que Soares pudesse se defender. A assessoria da imprensa da Band foi procurada pela AOL, mas nenhum assessor respondeu às ligações da reportagem. terça-feira, abril 27, 2004
sábado, abril 24, 2004
segunda-feira, abril 19, 2004
Les Triplettes de Belleville. Não vou comentar pra não estargar. Só vou dizer que é diferente e TEM QUE ser visto. A Tpm foi atrás de quatro presidiárias que ajudaram a escrever Cela Forte Mulher. No fim do ano passado, elas também subiram num palco improvisado na penitenciária do Tatuapé para dar uma de atriz. Por Ademir Correa e Vicente Concilio - fotos André Brandão ![]() Luciana era locutora de uma rádio gospel em São Paulo. Josenita trabalhava de manhã numa padaria e, à tarde, num salão de cabeleireiro na Vila Brasilândia (na zona norte paulistana). A santista Karla era corretora de imóveis e gostava de esportes radicais. E Cícera, que nasceu no interior de Pernambuco e veio para São Paulo com 10 anos, usava o corpo para se sustentar. Apesar da origem diferente, as quatro são amigas, atrizes e, no fim do ano passado, dividiram o mesmo palco. O da Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. Elas cumprem penas que variam de seis a 26 anos e – à exceção de Cícera – foram criadas em famílias absolutamente funcionais. Ainda assim, entraram para o mundo do crime. A ex-locutora Luciana, 29, assaltava bancos e já cumpriu quatro dos dez anos a que foi condenada. Karla, 33, nunca tinha cometido delito algum até ser convencida pelo namorado a participar de um seqüestro. A quadrilha foi presa, e ela recebeu a pena de 26 anos – a maior entre as “atrizes” de Mulheres de Papel, versão feminina do clássico de Plínio Marcos, que as quatro encenaram durante três meses num palco improvisado no presídio. Josenita, 31, é a veterana: está no Tatuapé há 11 anos e ainda precisa cumprir outros nove. O crime? Latrocínio, nome técnico de roubo seguido de morte. Cícera, 27, a menina de rua que usava o corpo como ganha-pão, tem a menor pena: seis anos por assalto à mão armada. Josenita: “Não conheço celular nem computador” A vida entre quatro paredes no Tatuapé não tem nada do glamour do musical Chicago. Lá dentro, as 620 detentas usam a mesma roupa, são chamadas pelo número em vez do nome e citadas pelos crimes que cometeram. As moças acordam às 8h, tomam café, se dirigem a uma das oficinas de trabalho (costura, montagem de peças, embalagens), almoçam, voltam para as oficinas ou estudam e, às 18h, depois de passar pela contagem e de jantar, são trancafiadas de novo. A rotina só muda aos domingos, quando recebem visitas. Josenita, por exemplo, só recebe visita de uma das irmãs. Apesar de estar presa há 11 anos, ainda sonha toda noite com o dia em que vai andar pelas ruas de novo. “Tem várias coisas que eu perdi, que não conheço: celular, computador...” Quando foi condenada, tinha 20 anos. “Se pudesse voltar no tempo, seria tudo diferente. Não teria estragado minha vida, a da minha família, a da pessoa que morreu no assalto. Não sei se o cara tinha filhos, esposa...” Luciana: “Eu tinha muita ganância” Como Josenita, a ex-locutora Luciana idealiza como será sua vida fora da prisão. Faz quatro anos que está lá. Quando sair, a filha Gleice, hoje com 10 anos, terá pelo menos 16. “Queria estar em casa, assistindo a um vídeo com minha filha. Passear na rua e ver as tiazinhas lavando o quintal.” A vida bucólica sonhada por Luciana é bem diferente da que levava antes de ser presa. Aos 25, fazia parte de uma quadrilha especializada em assaltar bancos. Luciana foi seduzida pela vida bandida por causa do lucro fácil. Tudo começou quando conheceu, numa passagem pelo Rio, uma quadrilha de assaltantes. “Eles eram atraentes. Comecei a gostar daquela vida: mulher, jovem, bonita, inteligente e criminosa.” Hoje, não vê mais glamour na vida bandida e lamenta ter se afastado dos pais, que são feirantes, e de seus 11 irmãos. “Vivia num mundo de mentira. Andava em bons carros, tinha casa, dinheiro...” Gastava rápido o que ganhava nos assaltos e foi presa antes de ter feito um pé-de-meia. Apaixonada por livros e apelidada na prisão de dicionário, quer fazer vestibular para direito. Mas sonho mesmo é voltar a conviver com Gleice, a filha. Karla: “Todo dia penso no que deixei de fazer” Karla também tem saudades dos filhos, de 12 e 10 anos, e da vida que levava em Santos, onde nasceu e foi criada numa família de classe média. Sempre estudou em escolas particulares e fez colegial técnico em publicidade. Trabalhava como corretora de imóveis até ser convencida pelo namorado a participar de um seqüestro, aos 26 anos. “Eu trabalhava muito, andava de kart, fazia rapel, tinha uma vida agitada”, lembra. O crime caiu como uma bomba na família. Os fins de semana são especialmente difíceis. “Nunca tenho visita.” Mesmo com participação pequena no seqüestro, Karla foi condenada a 26 anos. Está presa há cinco. Pode ganhar condicional quando cumprir dois terços da pena, daqui a 11 anos. É muito tempo para uma mãe. Cícera: “Queria cabelo arrumado, mas vivia com piolho” Cícera estreou cedo na contravenção. Natural de Arcoverde, sertão de Pernambuco, tinha que pedir dinheiro na rua para comer. Aos 10 anos, veio com a mãe e os irmãos para São Paulo. “Minha mãe trabalhava o dia todo. Quando chegava e não via comida pronta, era surra certa.” A pernambucana amadureceu cedo. “Meu peito saiu logo, queria roupa, sapato. Queria cabelo arrumado, mas vivia com piolho.” Na favela paulistana, começou a cheirar cola. Para sustentar o vício, passou a bater carteira. “Chegava em casa doidona, e minha mãe sentava a mão. Um dia ela me bateu muito. Aí não voltei mais.” Na rua, a prostituição foi a melhor maneira de sobreviver. “De repente, consegui cheque, cartão, roupa nova... Tinha um banco no meio das pernas.” Nessa vida errante, Cícera teve quatro filhos, que não se conhecem. Agora, só pensa em juntar a prole. Há quase seis anos no Tatuapé, vai passar para o regime semi-aberto. Aí poderá organizar um almoço para que Marcos conheça os irmãos mais novos. O teatro funciona como fuga do dia-a-dia claustrofóbico. Para Josenita, a peça ajudou a resgatar a auto-estima. “Me sinto como a Cláudia Raia. O teatro levanta seu ego, você vê que não é só um número”, diz. Nos três meses de peça, as melhores sessões eram as que tinham parentes na platéia. Ninguém da família de Karla apareceu, mas a filha achou uma nota na internet, imprimiu e levou para a escola. “Ela viu que estou fazendo uma coisa legal, que é motivo de orgulho. Só isso já valeu.” quarta-feira, abril 07, 2004
- Porque... não sei por que... porque é a minha sina... creio às vezes que é melhor morrer... Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas |