Chez Beebs

I'm still not breathing.

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[e outros]
 

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quinta-feira, fevereiro 28, 2002
 
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu?
A gente quer ter voz ativa,
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a Roda Viva
E carrega o destino pra lá...


quarta-feira, fevereiro 27, 2002
 
Luiz Eduardo, acabei de ver no teu blog que você acha que eu deveria ser a galinha. Você me decepcionou agora. Muito.


 
Loui, quero te ver hoje... E ver a lua cheia, e talvez tomar uma cerveja (se você estiver melhor), e me sentir melhor, e parar de sentir tanto ódio no meu coraçãozinho... Hum... adoro reticências...


 
Até que enfim consegui colocar essa imagem aqui... Vou comer a Mariana Kupfer!




 
Eu só podia ser a gata! Afinal sou uma mezzo-soprano com espírito de contralto (isso mesmo, nem vem!)...





Que Saltimbanco você é?



 
Este emprego realmente não é fácil. Enquanto eu estiver por aqui ficarei de mau humor. Pelo menos até chegar terça-feira, quando vai ter acabado este evento chato e a vadia louca do castelo vai parar de mandar em mim. O meu chefe então, reconhece que ela é louca mas não está nem aí. Reclamei e ele disse que eu não tenho senso de humor! Tenho sim, mas sou mais sarcástica e mais engraçada que ele. Só a burra da namorada dele que ri das piadas que ele faz. CA-RA-LHO!


terça-feira, fevereiro 26, 2002
 
[montanha-russa]

AAAAHHHHH!!!!!!!! Jessye Norman cancelou todos os shows no Brasil! Vou ficar de mau humor mais um pouco...


 
Ah, gente, tudo de bom agora! Sempre há uma luz no fim do túnel! A Gabi, irmã da Vivi, ligou para mim enquanto eu escrevia o post anterior e a partir de agora ela é nossa mais nova advogada. Tomara que os formandos da PUC queiram processar a Baracat, assim ela pode pegar a causa. E sabe o que é mais legal? A Gabi também é barraqueira! (Eu sei que a Gabi não vai ler, mas em todo caso: foi a Vivi que disse...)


 
Eu queria deixar registrado aqui, mesmo que nem todas as pessoas do Coral leiam, a minha decepção comigo mesma com relação a esse caso da formatura. Não sei se dá pra chamar de ingenuidade, mas a gente nunca tinha pegado um picareta durante esses anos em que eu estou no Coral. Quer dizer, tem o povo da São Francisco. Não vou comentar este caso porque me deixa mais irritada ainda. Só queria deixar claro que, COM EXCEÇÃO DE NOSSOS "CLIENTES", TIPO CLUBE MONTE LÍBANO, NÃO CONCORDAREI EM FAZER APRESENTAÇÕES SEM UM CONTRATO REGISTRADO EM CARTÓRIO. E gostaria que isso se aplicasse para todas as apresentações, inclusive aquelas que ourtras pessoas tenham o contato. Só pra nossa proteção.


 
Tem outra coisa que também está me chateando. Ontem o Maestro fez uma coisa muito feia. E magoou meu Mino. A vaidade é muito mais do que um pecado capital; é um tumorzinho.


 
Sim, Jorge, ressaca de xiboquinha é o inferno. Nas Economíadas de Itapira eu enchi a cara de cerveja e xiboquinha. Passei mal e tive que pedir pra um amigo voltar guiando o carro da mãe da Paty porque eu não tinha condições. Shame on me!


 
Pois é, ontem não consegui entrar aqui. Estava bichado de tudo e meu dia foi realmente ruim. Mas hoje promete. Vai ser um cu de pior. Estou no ápice do mau humor. Por dois motivos:
1 - O fela-da-puta do Maury da Baracat Eventos (é esse o nome, não usem nunca, é prejudicial à saúde!) que não me atende, pensa que eu sou idiota e insulta minha inteligência há uma semana;
2 - A vadia da diretora, que não é minha chefe, pensa que manda em mim e agora eu estou trabalhando para duas empresas e recebendo mal e porcamente por uma só.

Hoje é aniversário da minha mãe e da minha vó. Queria estar melhor...


sexta-feira, fevereiro 22, 2002
 
Coral, vamos ver esse filme, por favor!

Drama


Glitter - O Brilho de uma Estrela
Diretor: Vondie Curtis-Hall (EUA/2002)
Elenco: Mariah Carey, Max Beesley
Data de estréia: 22/2/2002
Duração: 104 minutos, Classificação: 12 anos
Nome Original: Glitter

A infância de Billie Frank (Mariah Carey) não foi nada fácil. A mãe, alcoólatra e cantora de blues, precisou deixá-la em um orfanato quando sua casa pegou fogo. Anos depois, em 1983, a jovem Billie está tentando encontrar seu lugar no mundo da música, trabalhando com duas amigas para Timothy Walker. Quando o empresário lhe pede que duble uma cantora sem talento protegida por ele, o DJ "Dice" Black (Max Beesley) percebe seu potencial e a convence: com sua ajuda, Billie será uma cantora de primeira grandeza.

Dito e feito. Billie assina contrato com uma grande gravadora, tem uma de suas canções no topo das paradas e ainda começa a namorar seu protetor (aliás, ela e Dice já vão para a cama no primeiro encontro), usando a auto-confiança para superar a falta que a mãe faz. Mas, enquanto a carreira dela decola, a dele não vai tão bem assim, ainda mais porque Walker quer os US$ 100 mil que o DJ havia prometido em troca da liberação da cantora.

Bem, Glitter - O Brilho de uma Estrela é, e não é, a história da própria Mariah Carey. Há pontos em comum entre a trajetória de Billie Frank e a biografia da cantora, mas não são suficientes para se traçar um retrato 100% fiel. O filme foi um fracasso retumbante nos Estados Unidos, além de ser indicado para seis Framboesas de Ouro, incluindo pior filme e atriz.


 
Moço, não adianta ouvir Lupicínio Rodrigues para tentar passar a Mica. Só ela é Indie. Você precisa ir na festa dela pra aprender como é que se faz.

Cosen, você também tem que ir na festa, assim não vai se sentir tão sozinha. A gente imita o Bob pra você.

Bom, chega de banalidades. Vou falar sobre algo que li por aí.

[momento piegas com orgulho]

Eu estou visceralmente apaixonada. Há 3 anos e meio. Cada dia mais. Sou surpreendida por declarações de amor sim e ganho presentes inesperados, como o DVD da Fantástica Fábrica de Chocolate quando tudo estava escuro, ingresso pra ir ver Jessye Norman pra comemorar, jóia da Vivara pra reafirmar, rosas colombianas pra comover, jantar à luz de velas (esse faz tempo, hein Loui?) pra começar..., show do Chico Buarque na mesa da frente pra delirar, caixa de CDs da Bessie Smith pra colecionar, máquina Polaroid pra registrar e tantos outros. Sexo? Não é da sua conta, mas é tudo de bom e de melhor.

Pretendo continuar assim enquanto a verba dele, a criatividade e a sensibilidade permitirem. E sim, isso é uma declaração de amor: Perro, te amo!

Tem dias que eu adoro a minha vida...


quinta-feira, fevereiro 21, 2002
 
OK, Haydee, você também lê meu blog. E eu também leio seu blog, moço.

Sabe, gente, estou com medo de levar um calote daquele escroto da empresa de formatura que pegou no meu peito. Sim, ele pegou no meu peito. Sabe aquele tipinho sebosinho, que fica pegando no seu braço enquanto fala pra você sem olhar na sua cara? É ele (Oi, Vaneeeessssaaaaaaaaaaaa!). Até agora não chegou cheque nenhum e eu já cobrei... Se ele não pagar, amanhã vai alguém do Coral no escritório dele, ah se vai!

Mas aquela entrada do Coral com Happy Day saindo das trevas foi tudo, hein? Nunca mais na vida. Será que ainda vamos ter nossos 15 minutos de fama? Tatá, responde!


quarta-feira, fevereiro 20, 2002
 
Bia, tudo bem, eu posso continuar sendo uma abelha pra você. Só não concordo com Loui em uma coisa: não sou de pelúcia! (você sabe muito bem que não sou nenhuma macaca...)

Minha cabeça vai explodir e eu não sei como fazer para sair daqui. Vou chegar atrasada na colação... Que dia estranho.


terça-feira, fevereiro 19, 2002
 
Bom, agora que ela me chamou na chinxa/chincha/xincha/xinxa (ah, como é que escreve isso?!?!?), vou dar nome aos bois:
Mino Amoi, Paty, Cosen e sua amiga Lis (aho que é o duplo da Cosen), BIA, Haydee (eu acho...), Djoh e Bob.

Essas são as pessoinhas que lêem meu blog. Se mais alguém lê eu não sei. Por enquanto é só.


segunda-feira, fevereiro 18, 2002
 
Ai, dia 26, chega logo! Chega logo, chega logo! Pra quem não sabe, vou assistir Jessye Norman no Teatro Alpha. Pra quem não conhece Jessye Norman, tá na hora de expandir seus horizontes culturais. Conheça ópera e música clássica. Vale muito a pena.

Por falar em música, acabei de falar com o Mo. Urso e descobri que o cara da comissão de formatura da PUC achou que o Coral fosse um grupo E-RU-DI-TO! Parei. Com certeza o carinha da empresa de formatura falou que a gente cantava qualquer coisa. E deve ter cobrado muito mais do que eu pedi. Sempre vai ter gente safada no mundo (ainda bem que você já morreu e nasceu de novo...)


 
E hoje é aniversário da socialite mais indie de São Paulo, Mimi Fajuri. Beijos, querida.


 
Loui, você foi muito rico, safado e folgado na outra encarnação (você sabe muito bem disso). É claro que o dinheiro tinha que ser sofrido agora. E faz 184 anos que eu te conheço.



 
Paty docinho, a questão de quem lê ou não lê meu blog resume-se aos recados que eu posso escrever e que o receptor irá ler, ou não. Não rola postar alguma coisa pra Mica, por exemplo.

Sei que no fundinho a gente se importa um pouco, tenta escrever coisinhas mais interessantes, o que nem sempre rola. Tem coisas que parecem melhores quando estão na minha cabeça.


 
[frase do dia]

Merda cagada não volta ao cu (um dos Parlapatões).


sexta-feira, fevereiro 15, 2002
 
A Lis, amiga da Cosen, também lê (ou leu alguma vez) este blog. Lis, quem é você?


 
A Paty disse que lê meu blog. Hoje eu liguei pra ela e parece que não vai mais ter festa de aniversário. Paty, faz festa sim!


 
[nhé]

Minha vó está no hospital. Fico com uma puta raiva dos médicos nessas horas, porque eles não conseguem descobrir o que ela tem. Em dois meses a vida dela mudou demais. Teve um derrame (nenhum médico diz que foi derrame, mas eu sei que foi um pequeno), foi morar com a minha tia, não consegue mais andar sozinha, não tem liberdade, às vezes não fala coisa com coisa. É uma tristeza não poder fazer as coisas que quer. E eu sinto muita culpa por não ter passado mais tempo com ela quando estava bem.


 
Ontem teve a colação de grau da minha irmã. É esquisito perceber como ela está grande. E também foi esquisito estar do outro lado. Na maioria das colações em que estou presente é do lado do Coral. Tinha um grupeto muito ruim (Loui, o nosso não vai ser assim não, mesmo que a gente vá viver de cantar em casamento) e a seleção das músicas era pior ainda. Os discursos, então! Só gostei do patrono, o Carlos Nascimento.


 
Hum... preguiça de escrever.

Vou resumir meu carnaval:
Sexta-feira: chopp na padaria perto do trabalho, depois casa da Paty.
Sábado: passeio a pé pelo centro e churrasco na casa do Ivan.
Domingo: Vinhedo.
Segunda-feira: churrasco na casa do Ivan (a Mica quer saber o que é ser Indie).
Terça-feira: cineminha (O Fabuloso Destino de Amelie Poulan é mesmo muito fofo) e Grazie a Dio!
Quarta-feira: tarde em Paranapiacaba.
Quinta-feira: acabou a mordomia... Buá!


sexta-feira, fevereiro 08, 2002
 
É, mas pensado bem acho que preciso melhorar este blog pra conseguir mais leitores. Hum... acho que vou virar concorrente de Caminho Dourado... Não gosto do Jorge mesmo (huá, huá, huá, huááá...).

[só pra você]

Querido, só te perdôo por não ter ido ontem nos encontrar porque li que você ficou doente, viu? Mas no carnaval você não escapa!


 
Gente, estou em prantos! Descobri que tenho pelo menos quatro leitores!

Manifestem-se! Quero mais...


quinta-feira, fevereiro 07, 2002
 
[cortesia da Bee-bee]

Pra quem não sabe, Hilda Hilst é tia da Pri. Hoje ela não tem mais vergonha da tia, mas antes queria matar quem tocasse no assunto. Separei um trecho de "Contos D'Escárnio - Textos Grotescos" para vocês se deliciarem com esta velha safada. (Tem alguns errinhos, mas eu não quis consertar mesmo.)


O que eu podia fazer com as mulheres além de foder? Quando eram cultas, simplesmente me enojavam. Não sei se alguns de vocês já foderam com mulher culta ou coisa que o valha. Olhares misteriosos, pequenas citações a cada instante, afagos desprezíveis de mãozinhas sabidas, intempestivos discursos sobre a transitoriedade dos prazeres, mas como adoram o dinheiro as cadelonas! Uma delas, trintona, Flora, advogada que tinha um rabo brancão e a pele lisa igual à baga de jaca, citava Lucrécio enquanto me afagava os culhões e encostava nas bochechas translúcidas a minha caceta: ó Crasso (até aí o texto é dela) e depois Lucrécio: "o homem que vê claro lança de si os negócios e procura antes de tudo compreender a natureza das coisas". A natureza da própria pomba ela compreendia muito bem. Queria umas três vezes por noite o meu pau rombudo lá dentro. E antes desse meu esforço queria também a minha pobre língua se adentrando frenética naquela caverna vermelhona e úmida. Empapava os lençóis. Era preciso enxugá-la com uma bela toalha felpuda antes de meter na dita cuja. Na hora do gozo ria.

- Isso não é normal, Flora.
- Bobinho! Isso é vida, alegria, o amor é alegre, Crassinho.

Histérica e sabichona dava gritinhos e rápidos aulidos, e quando tudo acabava, sentava-se sóbria na beirada da cama:

- As causas judiciais demoram tanto para serem solucionadas, meu Crasso, tem algum numerário aí para mim? Assim que receber dos meus clientes te pago.

O seu único cliente era eu e claro que eu pagava. Afinal não me fazia mal ouvir Lucrécio de vez em quando, se a atriz discursante era dona daquela pomba molhada e faminta. Claro que nem todas as soi-disant cultas são assim tão chatas. Tive as cultas refinadas e originais também. Mas que mão de obra, meu pai! Uma delas é inesquecível. Josete. Inesquecível por vários motivos. Mas principalmente pelo gosto exótico na comida e no sexo. Ela adorava tordos com aspargos. E pastelões de ostras. Era preciso que eu telefonasse uma semana antes para os maîtres dos tais restaurantes. Tordo?! Nunca sabiam se era um pássaro ou um peixe. Eu imagino hoje que ela sempre acabava comendo um sabiá. Com aspargos. O pastelão de ostras era mais fácil. Mas os vinhos para acompanhar aquilo tudo! Josete entendia de vinhos como se tivesse nascido embaixo duma parreira de Avignon. Depois desse inferno todo, ainda tínhamos que dançar, porque é delicioso dançar com você amor, se você tivesse mais tempo...

- Tenho todo o tempo do mundo, querida (talvez tivesse, mas nem tanto!).

Tinha mania de uma música: You've changed, e era aquela xaropada até às duas da manhã mais ou menos, quando eu já havia mergulhado meus dedos várias vezes na sua suculenta xereca. Abria discreta e elegante as pernas nas boates, embaixo da mesa, enquanto engolia com avidez aqueles vinhos caríssimos. Sorrindo soltava um pífio arroto de tordos e ostras abafado entre os seus dois dedinhos, enquanto os meus (dedos naturalmente) beliscavam-lhe a cona. Muitas beliscadinhas, muito dedilhado até que ela gozava escondendo o gozo e simulando um segredo e enchendo de bafo, gemidos e saliva a concha do meu ouvido. Eu dizia com a caceta dura e espremida entre as calças:

- Vamos embora, hen bem?
- Tá tão gostoso, amor.
- Eu sei, Josete, mas olha só o meu pau.
- Não seja grosso, Crasso.

E aí eu tinha que começar tudo de novo, não sem primeiro ouvi-la pedir as sobremesas e os licores. Depois de Josete ter gozado umas dez vezes entre sabiás e musses e álcoois dos mais finos que me custavam um caralhão de dinheiro, levantava-se garbosa, Espártaco antes da derrocada final, naturalmente. Eu ia atrás meio cego mas ainda sedento. Um tal de Ezra Pound, poeta norte-americano, era o xodó de Josete. Ô cara repelente. Um engodo. Invenção de letrados pedantescos. No primeiro dia que ela citou o tal poeta eu lhe disse: meu tio Vlad quando eu era molequinho, tinha crises de loucura quando ouvia esse aí falando numa rádio italiana. O cara era um bom fascistóide, você sabia?

- Bobagens, Crassinho, o homem foi um gênio.

Para agradá-la, pedi que me emprestasse algum livro dele. Emprestou Do Caos à Ordem, cantar XV. Aquilo era uma pústula, uma privada de estação em Cururu Mirim. Senão, vejam:

"O eminente escabroso olho do cu cagando

[moscas,

retumbando com imperialismo

urinol último, estrumeira, charco de mijo sem

[cloaca

................. o preservativo cheio de baratas,

tatuagens em volta do ânus

e em círculo de damas jogadoras de golfe em

[roda dele."

Josete adorava. Os olhinhos cor de alcaçuz, úmidos, tremelicavam. A boca repetia lentamente (em inglês, lógico) esses últimos dois versos do tal gênio: "tattoo marks around the anus, and a circle of lady golfers about him". Eu achava um lixo, mas não queria me desentender com toda aquela boceta-chupeta que literalmente, quando ativada, abraçava e quase engolia o meu pau.

- Tudo bem, Josete, se você gosta... de gustibus et coloribus etc.
- Pois gosto tanto, amor, que vou te mostrar a que ponto vai minha reverência por esse autor admirável.

Abatido, já me imaginei desperdiçando aquelas horas a folhear idiotias, ainda mais em inglês. Estávamos no apartamento de Josete. Pensei: é agora que ela vai se levantar e esparramar os livros do nojento aqui na cama. E adeus mesmo, vou inventar uma súbita náusea e me mando. Surprise! Ah, como a vida me encheu de surpresas! Josete deitou-se de bruços e ordenou lacônica:

- Pegue aquela grande lupa lá na minha mesinha.
- Lupa?
- Lupa, sim, Crassinho.

Então peguei.

- Faz um favor, benzinho, abra o meu cu.
- Como?
- Oh, Crassinho, como você está ralenti esta noite
- E o que eu faço com a lupa?
- A lupa é pra você olhar ao redor dele.
- Ao redor do seu cu, Josete?
- Evidente, Crassinho.

Foi espantoso. Ao redor do buraco de Josete, tatuadas com infinito esmero e extrema competência estavam três damas com seus lindos vestidos de babados. Uma delas tinha na cabeça um fino chapéu de florzinhas e rendas.

- Não acredito no que estou vendo, Josete, você tatuou à volta do seu cu pra quê?
- Homenagem a Pound, Crassinho.
- Mas isso deve ter doído um bocado!
- The courageous violent slashing themselves with knifes (que quer dizer: os violentos corajosos cortando-se com facas. Continuação do Canto XV).
- Coma meu cuzinho, coma meu bem, andiamo, andiamo (cacoetes de Pound).

Aí achei o cúmulo. "Jamais, meu amor, machucaria essas lindas damas". Josete começou a chorar.

- Ó Crasso, você é o primeiro homem a quem eu mostro esse mimo, essa delicadeza, essa terna homenagem ao meu poeta, andiamo, andiamo in the great scabrous arse-hole (no grande escabroso olho do cu).

Aí pensei: essa maldita louca vai começar a choramingar mais alto e o prédio inteiro vai ouvir. Enchi-me de coragem e estraçalhei-lhe o rabo com inglesas ou americanas (who knows?) e babados e o chapéu, não naturalmente sem antes lhe tapar a boca, porque tinha certeza que ela ia zurrar como um asno. Zurrou abafada, mas eu podia discernir algumas palavras. Ela zurrava: ó (leia-se aou, aou, aou, entonação inglesa) Aou Ezra, aou my beloved Ezra! Nunca entendi por que Josete quando citava Pound colocava a entonação inglesa. Também nunca perguntei. Certamente o nojento era o Shakespeare dela. (...)


 
Essa noite minha cama flutuou. Somando o que eu dormi, deve dar umas 4 horas. Estou molinha...


 
Eu não sei se alguém além dele lê este blog... Acho que o Djoh também lê. Se eu soubesse quem lê, se é que mais alguém lê, acho que seria um pouco ruim também. Tenho muito fel aqui pra vomitar. Blé!

Você já fez seu pedido pra estrelinha hoje? (Sim, plagiei de algum blog, não sei se foi do Djoh, da Bia ou da Mango Chutney)

Ah, hoje eu queria mesmo é poder controlar o tempo, e que durasse por uma semana, e daí, e daí, ah, eu ia fazer chover dilúvios no carnaval de todo mundo! Fuck you!


 
[devaneio descontrol]

E tem também a auto-piedade. Às vezes a gente sente tanta pena de si, uma vontade (quase) incontrolável de ficar na cama, sozinho, chorando e se enterrando na tristeza. Só que o pior é constatar que ninguém vai te ajudar a sair dessa. Algumas pessoas até tentam, mas não podem. E quem pode não quer. Ou não se dá conta do estrago. Não, não quer mesmo. Ninguém confessa que é ruim, mesmo que seja só de vez em quando. Não é aquela ruindade de falar mal dos outros, não ir com a cara de alguém. É ser escroto mesmo.


 
Confusão total. Por que a gente demora uma eternidade pra se dar conta de certas coisas?


quarta-feira, fevereiro 06, 2002
 
É, o carnaval será isso mesmo. Cidade vazia, uh-hú! Djoh, a gente vai pra Paranapiacaba sim, viu? Daqui a pouco vão desativar os trens e eu tenho que ir pra lá antes. E quero muitas baladas, muita risada, muita bebida, muito sexo (porque eu mereço sim!), mas só com amor... hihihi.

Bob, você pode oferecer seu recanto cor-de-rosa (ah não, a sua luz é vermelha, né?) pra uma noitada de jazz. E daí o Perrito e eu (eu sei que ele gosta disso...) podemos cozinhar uns quitutes chiquérrimos. Porque a gente é assim, muito fino.


terça-feira, fevereiro 05, 2002
 
Bob: Sou sempre o que esperam de mim: bom filho, bom neto, bom irmão, bom namorado, bom amigo, bom inquilino, bom coralista, bom funcionário, bom estudante...

Cosen: É bem difícil ser a filha-modelo. O tipo de filha, sobrinha, neta, etc, esperado.

Gente, que é isso? Deprê simultânea? Vocês estão passando muito tempo juntos! E Bob, você sempre vai morrer de sede em frente ao mar. A não ser que tenha um quiosque sujinho de praia...


 
Ai, perdi o barraco de ontem. Esses dois tinham que se entender, acabar com a tensão.

[Bee-bee pergunta]

Quando duas pessoas já transaram e ainda há stress, podemos continuar chamando de tensão sexual?


segunda-feira, fevereiro 04, 2002
 
Sexta-feira a gente foi no SP Fashion Week. Que decepção!

Nossas credenciais não davam direito aos desfiles, e o resto dava pra ver rapidinho. Stands pequenos, cheios de uma galerinha que acha que estar ali é tudo na vida. Guardam aquela roupinha "transada" (há!) pra usar lá, o único dia do ano em que (acham) que ninguém vai rir delas. E tanto o povinho freak quanto as modeletes olhavam pra gente, comuns mortais (graças a Deus!), com nojinho. Os vinte minutos gastos pra parar o carro definitivamente não valeram.

Encontramos a Bia e não conseguimos ver a Claudinha. Ainda bem que teve jantarzinhho árabe...


 
Pois é, os planos furaram todos. O que restou, nem eu sei.